O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso
País concentra até 80% do mercado global de suco.
O Brasil consolidou sua posição como o maior produtor de laranja do mundo e líder absoluto na exportação de suco da fruta. Atualmente, o país responde por cerca de 34% a 35% da produção global e concentra até 80% do comércio internacional de suco de laranja.
Esse protagonismo transforma a citricultura em um dos pilares do agronegócio nacional. Ao todo, o setor movimenta aproximadamente US$ 14 bilhões por ano e gera cerca de US$ 2 bilhões em exportações.
Além disso, a produção brasileira abastece mercados estratégicos, como Estados Unidos e União Europeia, que concentram a maior parte da demanda internacional.
Cinturão citrícola concentra força produtiva
A produção de laranja no Brasil se concentra principalmente no chamado cinturão citrícola, que abrange o estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro.
São Paulo, sozinho, responde por cerca de 74,6% da produção nacional. A região reúne condições climáticas favoráveis, tecnologia avançada e alta produtividade.
Na safra 2025/26, a produtividade média estimada chega a 808 caixas por hectare, com destaque para regiões como o sudoeste paulista, onde os índices são ainda mais elevados.
Exportações impulsionam o setor
Grande parte da produção brasileira não vai diretamente para o consumo in natura.
Mais de 90% das laranjas colhidas no país são destinadas à indústria de suco. Esse produto segue principalmente para o mercado externo, consolidando o Brasil como peça-chave no abastecimento global.
Em 2026, por exemplo, a demanda da União Europeia voltou a crescer, com alta expressiva nas importações. Esse movimento ajudou a sustentar o desempenho do setor mesmo diante de desafios internos.
Greening avança e acende alerta no campo
Apesar da liderança global, o setor enfrenta uma ameaça crescente: o avanço do greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial.
Sem cura conhecida, a praga já atinge cerca de 48% dos pomares no cinturão citrícola. Esse cenário compromete a produtividade e eleva os custos de produção.
Outro fator que desafia o setor é o clima. Eventos como secas prolongadas e ondas de calor têm impactado diretamente a produção. A safra 2024/25, por exemplo, foi uma das menores das últimas décadas, refletindo condições climáticas adversas.
Embora haja recuperação prevista para 2025/26, o cenário ainda exige atenção. A irregularidade das chuvas continua sendo um dos principais riscos para a produtividade.
Custos sobem, mas Brasil segue competitivo
Mesmo com aumento nos custos, especialmente com mão de obra e manejo, o Brasil mantém vantagem competitiva no mercado global.
A produtividade nacional ainda supera a de concorrentes importantes, como os Estados Unidos. Isso garante ao país uma posição estratégica no comércio internacional.
Além disso, o setor segue investindo em tecnologia para manter eficiência e reduzir perdas.
Um gigante sob pressão
O Brasil segue como potência global da laranja. No entanto, o cenário atual mostra que essa liderança não está garantida sem desafios.
Entre oportunidades e ameaças, o setor vive um momento decisivo. A capacidade de adaptação será determinante para manter o país no topo da citricultura mundial.
Fonte: Agro em Campo
