Sushi é um dos maiores desafios logísticos do delivery?
Tempo, temperatura, embalagem e tecnologia tornaram-se fatores decisivos para garantir qualidade e segurança na entrega de comida japonesa.
O delivery transformou a forma como os brasileiros consomem comida japonesa. Segundo dados do iFood, entre janeiro e agosto de 2025 foram registrados cerca de 29 milhões de pedidos de sushi, sashimi e temaki no país. No acumulado do ano, o volume ultrapassou 33 milhões de entregas, com média superior a 122 mil pedidos por dia.
O crescimento consolidou a culinária japonesa entre as categorias mais relevantes do delivery brasileiro, mas também trouxe um desafio pouco percebido pelos consumidores: a complexidade logística necessária para garantir que esses alimentos cheguem em perfeitas condições até a casa do cliente.
Diferentemente de outros pratos, o sushi depende de uma cadeia de controle extremamente rigorosa. Como trabalha com ingredientes sensíveis e, muitas vezes, pescados crus, pequenas variações de temperatura, atrasos na entrega ou falhas no transporte podem comprometer textura, sabor, apresentação e até a segurança alimentar do produto. Estudos sobre segurança no food service apontam que o controle do binômio tempo-temperatura é um dos fatores mais importantes para garantir a qualidade de refeições entregues por delivery.
Para Ricardo Leme, cofundador do Sushi Garden, a logística faz parte da própria experiência gastronômica.
“Quando o cliente faz um pedido, ele normalmente pensa no sabor e na qualidade dos ingredientes. Mas, no delivery, a logística entra como um terceiro fator que influencia diretamente a experiência. Em um prato como o sushi, poucos minutos podem fazer diferença no frescor, na textura e até na percepção de qualidade quando o pedido chega”, afirma.
Fluxo e tempo de pedido
Com operação 100% voltada para delivery, o Sushi Garden estruturou seus processos para reduzir ao máximo o intervalo entre a produção e a entrega. O modelo envolve monitoramento constante dos pedidos, organização das áreas de atendimento, definição estratégica dos raios de entrega e controle dos tempos de preparo e despacho.
“A gente trabalha para que o alimento fique o menor tempo possível parado. O objetivo é sincronizar cozinha e entrega para que o pedido saia praticamente direto para o cliente. Quanto mais controle temos sobre esse fluxo, maior a capacidade de preservar a experiência que foi pensada na cozinha”, explica Ricardo.
Embalagens
Além do tempo, a embalagem também desempenha papel fundamental na operação. Segundo Ricardo, a qualidade do transporte influencia diretamente a conservação dos alimentos, especialmente em categorias que exigem estabilidade térmica e maior cuidado com a apresentação dos pratos.
“Não adianta investir em ingredientes de alta qualidade se o transporte não acompanha esse padrão. A embalagem precisa proteger o produto, evitar excesso de movimentação e ajudar a manter as características do prato até o momento do consumo”, afirma.
Horários de alta demanda
Outro desafio está relacionado ao aumento da demanda nos horários de pico, principalmente durante os jantares de fim de semana. Nesses períodos, cresce o volume simultâneo de pedidos e a necessidade de uma gestão logística eficiente para evitar atrasos que possam comprometer a qualidade dos alimentos.
Segundo Ricardo, a tecnologia se tornou uma das principais aliadas para enfrentar esse cenário.
“Hoje conseguimos acompanhar os pedidos em tempo real, monitorar etapas da operação e organizar melhor os fluxos de entrega. Isso traz previsibilidade para a operação e ajuda a reduzir falhas que poderiam impactar a qualidade do produto”, explica.
Para o executivo, a logística passou a ter um peso semelhante ao da cozinha na percepção dos consumidores. “O cliente avalia a experiência como um todo. Se o pedido chega fora do padrão, não importa se o preparo foi perfeito. Então, logística, tecnologia e segurança alimentar fazem parte do mesmo processo de qualidade”, conclui Ricardo.
